Alea Jacta est!
AMIGOS DO BOSQUÍMANO
O Gueto de Varsóvia só funcionou no primeiro tempo. Na verdade, foi ato falho da minha parte. Lapsos?! Comigo mesmo. Por isso, odeio Freud e, lendo-o, meus tiques nervosos explodem. Assim, meu inconsciente pregou-me uma peça: esqueci de um detalhe doutrinário, tão enfatizado pela cartilha: a história só se repete como farsa. Além do mais, esqueci também de um detalhe histórico: o Gueto de Varsóvia foi massacrado pelos alemães. E foi isso o que aconteceu no segundo tempo. Não tínhamos fogo antiaéreo — pensamos o contrário e tomamos na jaca: a Lutwaffe lançou duas bombas e fomos pro beleléu!
E, agora, o que vai acontecer? Bem, podemos dar graças aos céus, pois não iremos mais jogar contra os lourinhos. Se a decisão fosse contra os descendentes dos árias, mesmo em casa, estaríamos lascados. Estou plenamente convicto que, dadas as circunstâncias, não ganharíamos — a única possibilidade seria esperar um gol fantasma como o de Xavier, o que, convenhamos, não é um dos acontecimentos mais corriqueiros dessa vida velha e enfada. A espera seria longa e tediosa — talvez, no próximo século, quem sabe. O fato é que os cabras sacaram perfeitamente o nosso jeito de jogar. Sabem anular-nos de forma implacável, eliminando a nossa maior virtude: a nossa rapidez. Como?! Através da marcação cerrada de nossa saída de bola. Nossos volantes marcam bem, porém, não sabem distribuir o jogo. Assim, perdem facilmente a bola. E, sem a bola, não temos velocidade, não temos nada, somente a dominação do adversário.
(Nesse momento, escrevendo isso, lamento profundamente a perda de Zada. Era a garantia de que a marcação de nossos volantes redundasse numa boa distribuição de jogo. Por isso, minha esperança de que Lecheva cumpra bem essa função)
Posso dizer, assim, que ganhamos do Náutico, porque não conseguiram impedir nossa velocidade. O timbu não marca tão bem quanto o Grêmio, e isso foi fatal. Mas, por outro lado, a barbie sai bem com a bola, pois seus volantes, Cleisson e Tozo, sabem distribuir o jogo. Nesse sentido, estão mais adequados ao jogo gremista de marcação e jogada aérea. Mas o Grêmio não é rápido como o Santa... O jogo dos Aflitos será extremamente complicado. A confiança excessiva dos arianos pode ser fatal. O Náutico tem um time técnico e... Kuki. Se fosse do signo de Áries, ficava desconfiado e um pouco mais modesto. Nessas horas decisivas, saber dos limites é fundamental.
E a Portuguesa?! Bem, é uma mistura, apenas razoável, de Náutico e Grêmio. Marca bem, mas não tanto quanto os lourinhos; tem uma boa técnica, mas não tanto quanto o timbu. Além do mais, é muito irregular e sem alma. Confesso: não tenho medo dos portugueses. Tenho medo é dos altos coqueiros do Arruda. Fiquei traumatizado, depois de 2004 — mais ainda, somado aos traumas de várias decisões desastrosas e consecutivas. Não tenho mais idade pra aquilo — só de pensar naquela decisão, tenho engulho. Não agüentaria a banalização do mal. A repetição sempiterna da tragédia. Fico dizendo pra mim mesmo: a história não se repete... a história não se repete. Por isso, racionalmente, irei confiante ao jogo; emocionalmente, estarei um trapo humano — nervoso, muito nervoso, e com aquela mania protestante de ficar procurando compulsivamente sinais da Providência.
Caros amigos, o Santinha precisa pagar essa dívida. Dado o meu sofrimento, ela é pessoal e intransferível; mas, cada tricolor sente a mesma dor moral — aquele gosto de pneu velho —, por isso a dívida é com toda a torcida. O Santinha precisa acabar com o trauma original. Mandar se foder o recalque. Desse ponto de vista, foi bom que a decisão caísse no nosso colo, pois acaba logo com essa frescura. Que seja, então, na nossa casa o fim da maldição. O Mundão do Arruda é o lugar próprio. O único lugar em que o Santinha se faz e precisa se fazer, onde ou desde onde foi herdada nossa paixão e para onde, a paixão, precisa ser transmitida, enviada e legada aos nossos descendentes. Que os Deuses respeitem o sagrado. Há regras, mesmo no além. Mas que tenham medo... também.
E que o exorcismo seja feito.
Amém.
O Gueto de Varsóvia só funcionou no primeiro tempo. Na verdade, foi ato falho da minha parte. Lapsos?! Comigo mesmo. Por isso, odeio Freud e, lendo-o, meus tiques nervosos explodem. Assim, meu inconsciente pregou-me uma peça: esqueci de um detalhe doutrinário, tão enfatizado pela cartilha: a história só se repete como farsa. Além do mais, esqueci também de um detalhe histórico: o Gueto de Varsóvia foi massacrado pelos alemães. E foi isso o que aconteceu no segundo tempo. Não tínhamos fogo antiaéreo — pensamos o contrário e tomamos na jaca: a Lutwaffe lançou duas bombas e fomos pro beleléu!
E, agora, o que vai acontecer? Bem, podemos dar graças aos céus, pois não iremos mais jogar contra os lourinhos. Se a decisão fosse contra os descendentes dos árias, mesmo em casa, estaríamos lascados. Estou plenamente convicto que, dadas as circunstâncias, não ganharíamos — a única possibilidade seria esperar um gol fantasma como o de Xavier, o que, convenhamos, não é um dos acontecimentos mais corriqueiros dessa vida velha e enfada. A espera seria longa e tediosa — talvez, no próximo século, quem sabe. O fato é que os cabras sacaram perfeitamente o nosso jeito de jogar. Sabem anular-nos de forma implacável, eliminando a nossa maior virtude: a nossa rapidez. Como?! Através da marcação cerrada de nossa saída de bola. Nossos volantes marcam bem, porém, não sabem distribuir o jogo. Assim, perdem facilmente a bola. E, sem a bola, não temos velocidade, não temos nada, somente a dominação do adversário.
(Nesse momento, escrevendo isso, lamento profundamente a perda de Zada. Era a garantia de que a marcação de nossos volantes redundasse numa boa distribuição de jogo. Por isso, minha esperança de que Lecheva cumpra bem essa função)
Posso dizer, assim, que ganhamos do Náutico, porque não conseguiram impedir nossa velocidade. O timbu não marca tão bem quanto o Grêmio, e isso foi fatal. Mas, por outro lado, a barbie sai bem com a bola, pois seus volantes, Cleisson e Tozo, sabem distribuir o jogo. Nesse sentido, estão mais adequados ao jogo gremista de marcação e jogada aérea. Mas o Grêmio não é rápido como o Santa... O jogo dos Aflitos será extremamente complicado. A confiança excessiva dos arianos pode ser fatal. O Náutico tem um time técnico e... Kuki. Se fosse do signo de Áries, ficava desconfiado e um pouco mais modesto. Nessas horas decisivas, saber dos limites é fundamental.
E a Portuguesa?! Bem, é uma mistura, apenas razoável, de Náutico e Grêmio. Marca bem, mas não tanto quanto os lourinhos; tem uma boa técnica, mas não tanto quanto o timbu. Além do mais, é muito irregular e sem alma. Confesso: não tenho medo dos portugueses. Tenho medo é dos altos coqueiros do Arruda. Fiquei traumatizado, depois de 2004 — mais ainda, somado aos traumas de várias decisões desastrosas e consecutivas. Não tenho mais idade pra aquilo — só de pensar naquela decisão, tenho engulho. Não agüentaria a banalização do mal. A repetição sempiterna da tragédia. Fico dizendo pra mim mesmo: a história não se repete... a história não se repete. Por isso, racionalmente, irei confiante ao jogo; emocionalmente, estarei um trapo humano — nervoso, muito nervoso, e com aquela mania protestante de ficar procurando compulsivamente sinais da Providência.
Caros amigos, o Santinha precisa pagar essa dívida. Dado o meu sofrimento, ela é pessoal e intransferível; mas, cada tricolor sente a mesma dor moral — aquele gosto de pneu velho —, por isso a dívida é com toda a torcida. O Santinha precisa acabar com o trauma original. Mandar se foder o recalque. Desse ponto de vista, foi bom que a decisão caísse no nosso colo, pois acaba logo com essa frescura. Que seja, então, na nossa casa o fim da maldição. O Mundão do Arruda é o lugar próprio. O único lugar em que o Santinha se faz e precisa se fazer, onde ou desde onde foi herdada nossa paixão e para onde, a paixão, precisa ser transmitida, enviada e legada aos nossos descendentes. Que os Deuses respeitem o sagrado. Há regras, mesmo no além. Mas que tenham medo... também.
E que o exorcismo seja feito.
Amém.

2 Comments:
Diga, tricolor no Rio (do Santa ou do Flu?!). Valeu pela força. E saudade do Futiba! Encontrando Gil, convenço-o de uma possível volta, pois o Futiba, na atual conjuntura, é mais do que necessário, é vital!
Lindo!
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